domingo, 13 de fevereiro de 2011

Descobrir-se


Ela - pele branca e cabelos longos e loiros - estava diante de um abismo. Sem chão, sem rumo, em tempo de se jogar no que havia pela frente sem pensar, sem indagar, sem refletir. Tão desnorteada, perdida, confusa... Ela era ingênua. Naquele momento de sua vida, ela estava aprendendo a crescer e ser mulher. Abandonar a molecagem exagerada e deixar as bonecas pelo menos um pouco de lado. Ela precisava mudar. Sem saber muito bem como ser gente grande, resolveu procurar ajuda. Sim, uma ajuda pra que soubesse quem era ela mesma. Perto de sua casa havia uma alfaiataria e lá ficava uma senhora - de vestido florido e cabelos brancos, com a pele enrugada devido aos seus prováveis 80 anos - parecia ela ser meiga e gentil. Sem medo e desespero, sentou-se numa cadeira estofada de cor branca que estava do lado da senhora. - É difícil ser grande? - perguntou a menina com voz doce e olhos infantis que demonstravam o turbilhão de dúvidas que a assustavam naquela altura da vida. - Sim, filha. É difícil. Você vai precisar aprender muito no decorrer da sua vida... Terá que aprender a lidar com pessoas que não gostam de você e tentam te prejudicar, a ter responsabilidade e não faltar com compromissos que assumir. Precisará levar a vida a sério e não como uma brincadeira de criança cheia de cores e brinquedos coloridos. Não, a vida não é assim. Existe uma parte dela que se caracteriza em cores pretas e brancas, sem humor algum. Nessas horas, você vai ter que ser forte e aguentar o que estiver por vir. Não vai ter pra sempre alguém pra te proteger, a não ser, Deus. Então você vai descobrir o outro lado da moeda, conhecer o outro lado da ponte que se centraliza em sua vida nesta travessia complicada e nervosa de crescer. - disse a senhora, demoradamente, porque seu tom de voz era calmo e tranquilo demais para se falar depressa. - Mas tudo isso? - assustada e com seus olhos castanhos arregalados, a menina se espantou com as palavras ditas. Sim, ela sentiu medo e um frio constrangedor na barriga. - Tudo isso? Não minha querida... É muito mais que isso. Quando eu tinha sua idade e sentia medo de crescer, desisti de muitos planos que surgiram no meu caminho por medo de ter que ser grande, tomar atitudes de gente grande e ter que agir sozinha. Então, o conselho que dou a você é de que por favor, não desista de absolutamente nada que te aparecer. Saiba distinguir o que é bom e ruim pra você, para seus caminhos, para sua vida e para seu futuro. Suplico que tenha fé e esperança e não desista de colorir as partes pretas e brancas que aparecem em sua vida. Porque, filha, existe em você assim como em todos nós uma luz que jamais se apagará. Não tema. As coisas acontecerão no tempo certo e você saberá a hora exata de crescer. Terás um "novo eu", serás uma nova mulher, irás mudar. Precisas apenas ficar calma e saber atravessar com cautela e determinação a ponte que liga o teu hoje com o teu amanhã. Não fraqueje. Não desperdice. Crescer pode ser melhor do que você pensa. Basta apenas acreditar e fazer acontecer. - a senhora respondeu com olhos cheios de lágrimas e voz pacífica, de forma que passasse segurança para quem quer que conversasse com ela ali, naquele momento. A menina não falou mais nada. Emocionou-se de forma humilde e singela com tudo que havia ouvido. Abraçou aquela senhora e saiu, em busca de um amanhã melhor e a espera de um futuro que logo logo vai chegar.

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