sexta-feira, 11 de março de 2011

Paz espiritual que não tem preço



Minha vida, tão graciosa que quase se torna pelo menos para mim, um verdadeiro monumento histórico, uma arte, uma peça teatral daquelas mais perfeitas que existem. Tudo muito mais bonito: cores de aquarela com tons vibrantes, girassóis tão iluminados quanto o sol. E o brilho do próprio sol, ainda mais radiante, tudo perfeitamente equalizado, conspirando a meu favor. Que felicidade, felicidade gostosa de ser vista, de ser sentida! Fleumática, completamente, dessa vez. Nem o grito mais agudo e irritante é capaz de me tirar a paz que tanto procurei: espiritual. Amor que sempre soube que existia: próprio.

Aspiro a cada instante os aromas mais deliciosos que as flores possuem. O céu está mais azul, as nuvens estão mais leves... Deixando a vida ainda mais leve. O mar está calmo, meu barco tem rumo, ideal, direção certa, exata. Não estou nem pra mais, nem pra menos: plenamente equilibrada. O sorriso aparece, muitas vezes até do nada, de repente. Minha alma, tão pura quanto criança. Meu espírito, tão pacífico, tão zen.
Nem o sono me tira o senso de humor: gargalhando por tudo, rindo de qualquer bobagem, mesmo acordando com aquela preguiça matinal, logo cedo. Não me preocupo com coisas desnecessárias e cumpro obrigações com todo amor e dedicação – além disso, com todo o perfeccionismo possível: que a pontinha minúscula da folha não se amasse que nada fique em branco, que a resposta seja a mais complexa – mesmo que dê trabalho.

Ai que maravilha, Deus, que maravilha me sentir assim: inspiração não falta, talvez as palavras desapareçam, evaporem, de vez em quando, mas nada que me impeça de escrever. Num oceano de letrinhas que mais parecem infinitas, vai me saindo uma frase aqui, outra ali... E quando vejo, está feito: mais um texto, feito por mim. E assim, mais um retrato de parte da minha vida, uma fotografia da minha história, uma marca de como me sinto, de quem sou. Quem consegue, decifra, sente e se sente na calmaria com que velejo.

No show da vida, espetáculo diário, danças sem motivos e risos também. Ou melhor, pensando bem, tem motivo: f-e-l-i-c-i-d-a-d-e. Doce poesia, bela melodia, uma dose de paixão, o cantar dos pássaros é música, o nascer do sol é obra prima. O brilho da lua é mais valioso que qualquer diamante, e as estrelas... São os olhares apaixonados de cada noite. O beija-flor bebendo graciosa e magnificamente, com aquela perfeição incomparável, a água com açúcar, ou então, como de costume, o néctar das flores. Observei e pensei: como pode tal criaturinha, possuir tanta etiqueta, delicadeza, perfeição? Tudo tem me feito pensar, refletir, indagar, concretizar opiniões, inspirar. A voz de cada amigo é como um canto que, simplesmente por dizer-me um ‘oi’, a alegria de viver já resplandece. E a calma, minha amiga, que nunca desaparece.

De repente, me pego, dentro do meu quarto – com as mesmas paredes cor de rosa, a mesma cama, o mesmo guarda roupa, uma roupa qualquer – olho tudo ao redor e não enxergo o tamanho da felicidade que já não cabe mais em mim. E a paz espiritual: que não tem preço. Tudo isso já não cabe mais em mim sozinha... Gostaria de dividir comigo? Prometo que em poucos minutos, já consigo arrancar sorrisos e se deixar meu coração se abrir, divido também a paz. A minha paz.

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