domingo, 8 de julho de 2012

Porque todo mundo passa por transformação



O ser humano não é sempre o mesmo. Ninguém é intacto. As pessoas possuem fases, e pra cada fase, um novo jeito. E pra cada jeito, um novo gesto. A vida – com suas surpresas – nos leva a adaptação: a gente é, praticamente, obrigado a lidar com o que está passando. Ou encontra um rumo, ou se afoga. Ou dança conforme o ritmo, ou vai cair. A gente é feito de fases. Muda como mudam as estações. Fazemos limpeza como fazem as árvores ao deixar que as folhas se desprendam de seus galhos. Deixamos florir os mais inesperados sentimentos, assim como florescem as mais belas flores na primavera. A gente se sente vazio e gélido como um inverno sem filme e companhia. Mas também aquece e se aquece como o sol esquenta a gente no verão.
                
Não mascaro sentimento e vou direto ao ponto: estive muito triste esses dias. Como se todos os problemas do mundo tivessem tido a brilhante ideia de se alojar no mais íntimo do meu coração e fazer com que minha alma explodisse em dor. Era como se o peso do vazio me afetasse mais do que qualquer outro tipo de emoção presente no universo. Contudo, pedi sempre, com muita fé, calma na alma e luz. Vento vai, vento vem, permiti: que o próximo que passar, leve consigo toda a angústia que me aflige e despeje em qualquer lugar distante o suficiente daqueles que, assim como eu, são sentimentalistas e abrigam dentro de si um amor enorme e inquietante. Ao próximo que vier, que traga – seja lá de qual for a galáxia – a mais positiva energia, o mais vibrante brilho da estrela mais bonita que houver nos céus. Que me traga também o raio de sol mais radiante e aquecedor e a mais linda forma de felicidade.
              
Tenho tentado, todos os dias, desprezar pequenas coisas que me impeçam a felicidade e a engrandecer todas aquelas pequenas coisas que me arrancam os mais sinceros sorrisos. Contemplo agora o que, de fato, merece ser contemplado. Coloco - abaixo de Deus - tudo o que me faz feliz no mais bonito altar. Elevo numa multiplicação desenfreada os motivos que me alegram a alma e trazem paz ao coração. Ignoro - ou pelo menos tento - ignorar situações mesquinhas mas que, se nos tomarem atenção, tem um poder destrutivo impressionante. Por isso, deixo que certos detalhes desprezíveis me fujam dos olhos. Já não busco ler o que sei que pode me magoar, mas se por acaso o destino me fizer ver algo até além, penso, repenso e trepenso: não precisa se entristecer. Deixo apenas que meu corpo e minh'alma sejam invadidos pelo que é realmente bom e verdadeiro, digno do meu aplauso e da minha necessidade de o ter presente. Preso pelo meu bem estar, e por isso elimino, ainda que aos poucos, tudo aquilo que não contribui para o auge da minha tranquilidade e cumprimento dos meus objetivos.

Entre as infinitas fases que existem e se não existem, a gente inventa, passo agora por um momento de transição: onde permito que as estações dentro do meu mundo mudem independentes de como mudam as do mundo real. De inverno, passo a ser verão. Quero em mim todo o calor do mundo, toda a leveza da praia, toda a força das ondas. Quero a paz de um passeio na beira do mar, o silêncio que se embeleza com a cantoria da onda que se quebra, a alegria das crianças correndo. Quero a pureza da menina que se intitula princesa e constrói tão delicada, seus castelos na areia. Quero ser mais, quero ser feliz, viver bem e melhor. Quero uma rede, uma casinha bonita de frente ao mar, e um livro que me transforme e me faça mergulhar: porque descobri – nessa história toda de livro e de praia – que o mergulho é a mais autêntica forma de renovação. A gente se sente leve e limpo, mesmo quando a areia gruda no corpo e o sol teima em queimar nossos olhos.

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