sábado, 2 de julho de 2011
A pequena capitã (do mundo não impossível)
Pequena capitã do mundo, domadora de seus sonhos e líder de cada vontade que tem. Inquieta, observadora, conservadora. Dona de uma mente impressionante. Pequena, ainda. Mas capitã. Aprendeu desde cedo a colocar em seu barquinho as coisas mais simples e melhores que a vida oferece: algumas amizades, alguns doces, algumas músicas, muitos sonhos... Enfim, nada que pesasse e fizesse extrapolar a bagagem. Entregou seu barquinho nas mãos de Deus e pediu que Ele a ensinasse a conduzi-lo e desse a ela forças o suficiente para enfrentar as tempestades e os ventos contraditórios. Quem disse que a gente é totalmente feliz? A garotinha teve a infelicidade de se deparar com algo errado que carregou: o medo.
Desnorteou-se, coitada. Ficou estonteada quando ele estava tomando conta de si. Recorreu a Deus, deixou que Ele velejasse aquele barco e se trancou num lugar meio escuro, fechado, longe do resto do mundo. Era um lugar que havia dentro de seu barquinho, como se fosse um porão: escuro, de fato; meio empoeirado, e por mais escuro que ali estivesse, era possível perceber que muitas coisas havia, dentre caixas e outras mil tralhas entulhadas uma sobre a outra. Até que um dia ela cansou de ficar escondida ali, e saiu a tatear em meio àquele local, em busca de um interruptor ou qualquer coisa que fizesse se acender uma luz. Procurou, procurou... E a pequena menina conseguiu encontrar. Quando uma lâmpada já meio falha acendeu, percebeu ela que naquele local havia mais coisas do que seu pensamento impusera. Caixas coloridas, balões, baús, armários... Um verdadeiro mundo bonito e abandonado.
Curiosa que é, começou a caminhar por ali. Abriu um dos baús, nada havia encontrado. Olhou por sobre os armários e haviam algumas bonecas de pano empoeiradas. Fuçou aqui, ali, acolá. Por fim, abriu uma das caixas coloridas e nesta havia papéis também coloridos. Resolveu tirá-los, até que encontrou lá no fundo um bonequinho: sapatos vermelhos e pontudos, bermudinha verde e camisa listrada; chapeuzinho pontiagudo; um charme só. Como ela pensava: um duende. Mágico, mágico, sensacional. Uma companhia, para ela. O limpou na barra de seu vestido e com ele começou a conversar. Achou que estava ficando louca, mas não. Era uma companhia, só isso. É que além de tudo, a pequena garota fora feita com o poder da magia nas mãos. Não que ela tivesse super poderes, mas considerava vivas as coisas que ela gostava. Deu ao duendezinho o nome de “Charpan” e à ele contou tudo o que sentia. Desde suas felicidades até suas angústias, medos e desafios. Ela começou a sentir que estava cansada. Resolveu então colocar Charpan ao seu lado, deitado, junto consigo. E adormeceu. Estava exausta.
No dia seguinte, logo cedo, acordou e não viu mais aquele duende ali. Encontrou, então, no lugar em que tal criaturinha estava, uma carta, escrita com uma letra belíssima onde dizia: “ Querida garota, pequena menina, de tão grande coração. Peço-lhe que, por favor, não abale-se. Não se frustre. Não sinta medo. Não permita que seu coração se desespere diante as dificuldades desta vida. Confia em Deus, segure em sua mão e pilotem juntos este barco chamado vida. Você escolheu as coisas certas para carregar nele, e o medo faz parte. Para te mostrar apenas o quão forte tu és e podes ser. Para te mostrar que os ventos contraditórios e as tempestades reservam um sol maravilhoso e um porto seguro para que desfrute de sua vitória. Eu fui esquecido aqui dentro pelas pessoas que mais amava, mas sempre soube que o destino me reservaria um Anjo para que eu me libertasse desta prisão. Sim, até os bonecos se magoam quando estão presos. Sai daqui, menina! Volta a ser capitã da vida, volta pra vida. Este lugar escuro não foi feito para pessoas como você, sonhadora. Então vai, acredita na tua fé. Não deixa que o medo e as pessoas pobres de espírito te frustrem e abalem os sonhos.”
Ela chorou um pouco. E saiu. Voltou a ser “Capitã”. A acreditar em si, como sempre fez. Ver que Deus sempre esteve com ela. A acreditar que as coisas mais impossíveis também podem ser alcançadas. E seguir, tendo agora plena certeza que é capaz de vencer.
(Se bonecos falam? Talvez só em filmes. Mas não na cabeça das pessoas que conseguem enxergar a vida além da realidade humana, acreditar na fé que seus corações desenvolvem e encontrar luz, por maior que sejam as trevas. Há vezes em que a vida se encarrega de te trazer o medo, as dificuldades e as frustrações, só pra ver se você vai seguir em frente e mostrar pro resto do mundo que é capaz de superar cada desafio, mesmo que demore ou pareça ser impossível. Antes de qualquer coisa, acredite em você. Porque quem acredita, alcança. Faz por merecer.)
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