sábado, 13 de agosto de 2011
Desabafos
Naquela angústia inocente de querer crescer, vejo hoje que tenho crescido numa velocidade de luz a cada dia. Nunca pensei que fosse ter tanto medo de amadurecer um pouco mais, porém, é o que tem acontecido.
Das mil lições que tiro para apenas um erro cometido, me encho de perguntas. Ou não estou totalmente pronta para algumas coisas da vida ou meu emocional é sensível demais. A verdade é que para toda armadura de ferro existe um coração guardando lágrimas, por um medo absurdo de que elas escorram e acabem enferrujando o que parecia ser forte. Mas que no fim das contas, só parecia mesmo.
Perdida num mar de sonhos, medos, angústias, palavras, sentimentos, metas, acontecimentos e tudo que englobe a vida de uma adolescente quase precoce, tenho tentado encontrar um barquinho de resgate, que apenas me salve por minutos ou horas dessas coisas que estremecem o coração da gente. Mais luzes, mais sinais de “terra à vista”. Mais sinais de ombros firmes nos quais sei que posso encostar a cabeça e chorar um pouquinho.
Penso - ultimamente, na grande maioria das vezes - que cresci demais. Talvez eu até saiba por que, mas foram vãs as tentativas de tentar explicar. Tentei demonstrar sempre meus sentimentos de algumas formas, falhas, mas tentei. Nada que desse muito resultado. A alma alivia, mas o coração não deixa de sentir. Procuro refúgio, colete salva vidas, qualquer coisa que me desafogue por alguns instantes desse oceano de coisas que não sei explicar, nem organizar.
A pressa de querer crescer, viver, aprender, tudo isso tem me deixado frustrada. Nem sempre a vida é um mar de rosas e sorrisos o tempo inteiro. Há horas em que a gente cansa e precisa se isolar do mundo pra chorar um pouco. Nem que seja só pra deixar os sentimentos ruins saírem e dar espaço para que uma nova alegria possa se abrigar aqui.
Não sou o tipo de pessoa que gosta de jogar indiretas e dizer o quão mal está se sentindo pro mundo. Não gosto de repartir a dor. Creio que existam mais pessoas como eu, as quais eu dou razão. Não é questão de orgulho querer esconder uma lágrima, mas vale muito mais a pena chorar sozinho, onde esteja só você e Deus, os únicos capazes de realmente entender e se confortar.
Pois bem, em meio a esses turbilhões de sentimentos que ficam me preenchendo de vez em sempre, tenho descoberto que não sou fraca por ter agüentado tanta coisa calada. Não é pra qualquer um não.
Muitas vezes acho que é por eu ser tão intensa em relação à tudo e todos, que cresci. Criei tantos conceitos, formei tantas opiniões, cheguei a tantas conclusões nem sempre conclusivas e, olha só agora: as perguntas mudaram. A vida passa tão rápido, a ponto de você piscar os olhos e já ser outro dia. De não ver as horas mudarem, o fim do mês chegando e o início do outro. Você acorda e se pergunta: e agora? A única resposta que encontrei, mesmo sabendo já de tanta coisa, é que, agora, levanta. Levanta porque se não você não vai saber como vai ser o dia. Se as coisas vão mudar, se vai ser tudo diferente. O pra sempre acaba, o nunca acontece, os amores passam, as vontades mudam, os sonhos se realizam ou então outros deles são feitos.
Ninguém é de ninguém, o medo existe, a gente cresce, quebra a cara pra aprender e não: não é porque sou “criança” aos olhos de alguns, ou uma “adolescente iniciante” que preciso rir o tempo inteiro e achar graça de tudo. Não é por isso que não posso chorar ou ter minhas angústias. Não reclamo da vida porque ela, graças a Deus, é muito boa. Na verdade, não reclamo de nada. Apenas tenho aprendido a levar com cautela as coisas que sinto e que me acontecem. Afinal, todos os dias é tudo novo de novo.
Tento todos os dias controlar minhas impulsividades. As raivas que sinto, a vontade de chorar. Procuro rir por tudo, achar graça de tudo, fazer da vida um humor. Mas chorar é inevitável. Uma hora ou outra, todas as coisas que você tem guardado durante tempos - pra mim, até por meses - desabam duma só vez numa madrugada, para ser mais explícita, deste sábado em que escrevo.
Há um tempinho já não escrevo mais nada. Na verdade, estou escrevendo aqui tudo que me vem na cabeça que o coração proporciona, como sempre. O que muda é que desta vez estou sentindo tantas coisas ao mesmo tempo, que não sei como organizar, nem por onde terminar, nem como desenvolver a história e nem como colocar um fim.
Pirralha crescida que sou, sei de mais coisas do que os outros imaginam. Costumo repetir pra mim mesma, apenas com o som do pensamento, que ninguém me conhece realmente. Há mais coisas que meu coração carrega do que podem imaginar.
Esse meu medo de crescer se dá pelo simples fato de que aprendi tanto com a vida - tanto minha quanto com as experiências alheias, das quais sempre tento tirar lição - que chega uma hora em que há algo acontecendo e eu não sei o que fazer. De fato, sempre precisamos aprender mais. Crescer mais. Só que me acho tão nova para isso, que temo em ser diferente demais das outras pessoas. De ver a vida com mais seriedade antes do tempo chegar. Mas o que posso fazer? As coisas acontecem e estou encarregada de lidar com tudo isso. Ao menos sei que tenho Deus, portanto, não estou só.
O que sei de tudo isso é que sou mais forte do que penso por suportar tantas coisas, aturar tantas outras. Por ter aprendido a medir minhas palavras, mas usá-las com todos os argumentos quando necessário. Só gosto de chorar sozinha, já que ninguém poderá se adjudicar das minhas dores ou motivos de lágrimas. Não diria que choro, apenas que limpo a alma.
No fim das contas, descobrimos que crescemos a partir do momento que vemos o longo tempo por que seguramos tantas coisas aqui dentro do coração, sem dá pistas, rastros ou sinais de “help” para os que nos rodeiam e acabamos por saber como nos virar ou deixar o coração chorar um pouco, sem precisar abrir mão de um bom sorriso durante o dia inteiro. Ninguém é fraco não, amigo. A vida é difícil e não somos de aço. Chorar é bonito, até.
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