terça-feira, 2 de agosto de 2011

Devaneios e alicerces



Estava sentada num degrau qualquer da escada. Longe de todo o resto, que conversava em tom de voz mais alto do que talvez devesse. Vez ou outra reconhecia a voz de algum colega, mas não estava prestando atenção. Havia algo maior, que aos poucos começou a me preencher e me fazer ficar olhando pro nada e pensando em tudo.

Das saudades mal matadas, de coisas até que não passaram ainda, cheguei a conclusão de que me apego à tudo e todos mais rápido do que deveria. Com pouco tempo e, veja só o que tenho: um carinho enorme, um amor tão grande. Não queria que as coisas passassem. Apesar de saber bem que o tempo é traiçoeiro e a distância existe, nem que seja só a física; mas existe.

Embora eu tenha sempre tentado me adaptar à falta de convivência com algumas pessoas na minha vida, até hoje, mesmo depois de alguns anos, ainda dói. A saudade ainda resolve me fazer uma visita e me roubar algumas lágrimas misturadas com sorrisos. Faz-me ficar perdida em meio às lembranças de coisas tão boas e sadias que me marcaram.

Não são poucas as vezes em que me questiono o porquê das pessoas terem que partir. De o contato ser raro, daquela boa conversa ser quase impossível. Não cheguei a nenhuma resposta. A não ser que a vida só queira nos mostrar que, como dizia Renato Russo, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Mostrar-nos que devemos estar perto de quem a gente gosta e quer bem, o máximo possível, porque o tempo passa e é cogente que algumas delas tenham que ir embora para que outras coisas novas cheguem e a gente veja se o que fez no passado realmente valeu a pena para que, no atual presente, saibamos dar o valor que as pessoas merecem e vivê-lo melhor do que o tempo que já passou. Nada demais. Apenas uma idéia clichê. Ou reflexiva, quem sabe.

O fato é que não importa quanto o tempo passe. As pessoas que realmente amo na minha vida sempre irão ter um pedaço do meu coração, e não há nada que mude isso. Que apague, afogue, desgaste. Não é como areia: a gente escreve, até que o mar venha e leve em questão de segundos ou então minutos, até que alcance o lugar em que foi escrito. É como rocha: onde depois de registrado algo nela, leva-se uma eternidade para que se apague. Ou quem sabe, nunca se apague.

Aquelas brincadeiras bobas com pessoas tão queridas; aquelas gargalhadas de conseguir prender a atenção das pessoas que estão ao redor, aqueles abraços tão fortes e sinceros que traduzem melhor do que qualquer sinônimo a frase “estou com você para sempre”.

Pensando bem, não existe essa coisa de passado. É, me veio essa idéia de repente. Passado só existe para as coisas ruins, as quais a gente só traz pra nossa vida o que aprendeu com elas, para que não se ecoe. O que é bom a gente traz no coração. Não deixa ir embora. E mantém sempre o mesmo sentimento pueril que permitiu o coração desenvolver.
Quando penso em praticar o desapego no medo de sofrer no futuro, repenso: não vale a pena. Sempre vou cultivar os melhores sorrisos, risos e gargalhadas; os abraços que tocaram a alma e as palavras que convenceram o coração. Em meio à devaneios que percorrem a mente, faço de cada lembrança boa um motivo pra continuar.

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