quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Aquilo que era recíproco




Formavam um casal perfeito. Amavam-se, de um jeito que nem as teorias românticas – se é que isso existe – eram capazes de explicar ou definir o que haveria de ser tanto amor assim. Eram fortes, e por isso, sustentavam o sentimento que os uniam – sentimento este capaz de vencer a distância, quase abismo, que havia entre os dois.

Passavam horas frente à web cam, se olhando, sorrindo. Ali: intactos. Apaixonados. Era possível sentir o amor entre os dois apenas pela forma como os olhos brilhavam ao tocar no nome um do outro. A menina, romântica e meio “maluca”, disse pra que o garoto a pedisse em casamento. E não é que assim foi feito? Ele ajeitou a câmera, ajoelhou-se e digitou: “quer casar comigo?”. Num riso imediato, ela disse que sim. E dali, começavam a rir. Fingiam tocar as mãos pelo monitor. Costuravam, juntos, sonhos e mais sonhos em meio às estrelas lá em cima, que, sem mais nem menos, desfizeram-se como palavras desenhadas na areia. Iam juntos, até umas três e pouco da manhã. Muitas vezes sem nada dizer. Tinham apenas gosto de ficarem olhando-se por tanto tempo, sem nada para interromper.

Nos telefonemas – raros, já que a menina não gostava muito de falar no celular e nem sempre este estava perto para atendê-lo – o garoto fazia seu pedido: “canta pra mim, bebê. Quero tanto ouvir você cantar.” E tinha seu pedido negado umas três ou oito vezes, até que ela cedia, e cantava – mesmo ficando completamente vermelha e com o coração acelerado. Pedia-se revanche, e era necessário que ele fizesse o mesmo. E mesmo quando o assunto se fazia escasso, não desligavam: permaneciam na linha, ouvindo o silêncio um do outro. Era suficiente, só de saber que ambos estavam ali, tentando sentir o calor de suas respirações.

E quando se viam, eternizavam cada segundo que passavam um ao lado do outro. Transformavam em magia e luz um simples “olho no olho”. Uniam suas mãos, e era satisfatório. E a cada abraço, os corações encontravam-se, e era como se o mundo parasse ali, naquele instante.

Eram repletos de sonhos, metas, planos. Uma vontade desmedida de ficar junto e bordar a vida do jeito mais bonito que existe. Mas a vida, tão inusitada, não é como a gente sonha e espera. Erros e tropeços fizeram a corda bamba derrubar os dois. A culpa, de ambos. Um não é melhor que o outro pra julgar, mas o que se sabe é que tudo aquilo – tão verdadeiro e tão bonito – esvaeceu pelo espaço.

Marcaram um ao outro, inevitável. Impossível negar. Amavam-se, de fato. Eram felizes. Mas depois que levantaram de uma, duas ou três quedas – por orgulho, querer-ter-razão ou coisa assim – esqueceram de dar as mãos novamente. Não dá pra saber se ainda pensam um no outro, nem onde foi parar aquela coisa tão bonita. Não dá pra saber se foi e não volta, se vem de novo e vai, ou se vem e fica. E é impossível de saber se aquele amor tão grande e aquela união irrestrita entre os dois realmente foi embora, ou apenas está tudo guardado no lugar mais fundo do coração e eles não sabem se voltarão a ser a chave um do outro, e se abrir outra vez.

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