quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Bem vinda, amada!





Tão pequena, e linda, de cabeleira negra e uma pele corada, te observo: ainda tão pequena, tão bebê, tão ingênua. De uma pureza absoluta que encanta qualquer coração gelado e carente de amor. Pergunto-me: como pode? Criatura tão pequenininha vir ao mundo e crescer, crescer, crescer... Até cumprir uma missão desconhecida que nem a própria autora da vida sabe.

À beira dos meus 15 anos, te ganhei. Uma irmã que será, na minha vida, mais do que isso: mas amiga – e quase filha. Nunca tive idéia de como se exerce o papel de uma “irmãe”, já que tal acontecimento jamais, antes, havia me passado pela mente. Mas aí que Deus se encarregou de mandar um anjo em forma de gente, por várias razões que só Ele sabe. Mas bem sei que uma dessas razões deve ser pra me acalmar e aconchegar a alma, quando a correria da vida faz a gente quase não ter tempo pra desfrutar momentos de tanta paz e tranqüilidade. E sinto a reciprocidade. Te pego em meu colo, mesmo você sendo tão molinha e pequena, te deito em minha perna, e fico te olhando. Você me olha, também, com teus olhos inquietos, observando-me dialogar contigo, com palavras de amor e carinho, embora nada você entenda.

Você me fez mais feliz, mesmo não fazendo idéia disso. Há vezes em que deito-me ao teu lado, na cama, só pra te observar dormir. De calça lilás, casaquinho cor de rosa, luvas lilás e meios cor-de-rosa, com a mãozinha na face, sem nada saber da vida, e toda enroladinha nos lençóis. E me satisfaço de te olhar por minutos intermináveis, ali, tão serena. Você se acorda, eu te pego em meus braços, e fico cantando canções de ninar só pra você ficar quietinha. Desemboco palavras doces, porque mesmo que você não entenda o que digo, acredito que seja capaz de sentir a intensidade de cada palavra pronunciada.

Me pego – desde que soube da sua existência no ventre da mamãe – imaginando como seremos amigas. Unidas. Você vai me ensinar a desenvolver uma nova forma de amor e a cuidar de ti. A adolescer uma forma de proteção tão incondicional, que me fará capaz de enfrentar meus piores medos, só pra guardar você. E sim: sem dúvidas, me arrisco, só pra te ver bem, e feliz.

Desde que você nasceu, há seis dias, eu passei a rever as coisas que compõem a vida de uma forma mais sentimental do que já era. Talvez porque você tenha despertado em mim um sentimento ainda mais intenso do que imaginei.

Minha vontade é cuidar de você, te proteger, ser sua amiga, irmã, confidente, fiel. Quero acompanhar cada passo que, futuramente, você dará. E poder ensinar o que sei dessa tarefa de ser humana, de maneira que você trilhe sempre pelos caminhos certos. Faço-me criança, sempre que necessário, e brinco de boneca com você. Te visto com vestidinhos e sapatinhos, arrumo seus cabelos e te faço ainda mais princesa do que já és. Escutarei você, todas as vezes que quiser desabafar. Estarei ao seu lado, também, quando você começar a amadurecer e teus primeiros traços de mulher começarem a surgir. Daí vou te acompanhar em cada escolha feita, em cada decisão tomada, te mostrando que a vida oferece mil possibilidades certas e lindas pra se resolver uma mesma situação. E quando você se magoar, eu estarei bem ao seu ladinho, te alertando que não precisa desesperar-se, porque o tempo cura tudo e que nada é capaz de te impedir de ser feliz. E te ajudarei, fazendo tudo que for necessário – até mesmo o impossível. E quando cair, por favor, não se preocupe, nem se desespere. Antes mesmo de você me olhar com jeito de quem grita socorro, eu já estarei segurando suas mãos e te reerguendo, outra vez.

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