Digo logo, direto e sem pausas: sou uma exagerada. Sobretudo quando se trata de amor. E não me considero errada, não. Se doar por inteiro e esperar reciprocidade na ação é a salvação da pátria nos dias de hoje, onde os casais cada vez mais se ausentam e se despreocupam um com o outro e pouco fazem questão de detalhes. Nessa sociedade que mascara descuido com perguntas clichês se-tudo-está-bem, poucos são os que realmente cuidam, se importam e zelam por aquele ou aquela a quem escolheu estar ao lado.
Namorado, pra mim, tem que ser tudo por inteiro e também me considerar como tal. Não é apenas pra beijar e abraçar, mas também é pra ser amigo, é pra ser cúmplice. Desdobrar noites, virar madrugadas, amanhecer o dia, se preciso, caso o outro não esteja bem e precise de apoio. É querer mostrar uma luz, qualquer que seja ela, só pra ter certeza que tirou o companheiro do fundo do poço, do final do túnel ou que, pelo menos, ajudou-o a se erguer pelo menos um pouco de lá. Tem que ter amor. Preocupação que venha de dentro. Cuidado e afeto verdadeiros, isentos de qualquer fingimento só pra forçar uma cautela inexistente. Tem que haver respeito e limites: não falo de proibir seu namorado de ter contato com as amigas, ou da namorada ter contato com os amigos (aí vai de qual seja sua preferência), porque cada um tem sua vida independente, queira você ou não. Falo de não causar ciúmes quando a única pessoa a quem você deve abraçar e estar ao lado o tempo inteiro é aquela a qual você escolheu pra chamar de sua. Falo de se importar com a chateação de seu par, e buscar uma maneira – seja ela qual for – de reconciliação.
Não sou o tipo de pessoa que se conforma com o pouco, básico e simples. Básico e simples, no meu mundo e creio que no de muitas meninas que se identifiquem comigo, é ser tudo na vida daquele que chamamos de amor: bebê, amiga, princesa, boneca, rainha, companheira, linda, meiga, engraçada, divertida, namorada, esposa, conselheira, refúgio, ponto de paz, lugar de aconchego, amor, dengo, xodó. Acho que uma das essências primordiais para que um relacionamento dê bons fluídos é isso. Um ser o ponto de paz do outro. O abraço de ambos ser a melhor morada existente. O casal precisa ser, entre eles mesmos, a própria moradia feliz: onde, na dificuldade, um recorra ao outro e ambos se ajudem, não doando apenas um ombro, mas os dois, juntamente com as mãos que se seguram e se acalmam e os braços, que possam dissolver qualquer que seja o medo ou problema dentro de um abraço que, por consequência, se faz refúgio, onde se queira estar eternamente preso ali. Tem que ter confiança. Tem que ter segurança. Tem que ser proteção.
E ainda não sendo suficientes todas as coisas já ditas, ouso ir além: tem que fazer graça. Tem que ter risos. Gargalhadas que doam a barriga. Guerra de travesseiro. Provocação boba que termine em beijo. Tapinhas clichês pra fazer charme que gerem um belo puxão pela cintura e deixem escapar um “eu amo você”. Tem que ter piada – ainda que sem graça – mas que se torne engraçada pelo simples fato de ter sido dita da maneira mais sem sal do mundo pela pessoa que você ama. Se amor precisa de sorrisos, que não se tenha vergonha de ser um pouco criança, então: amor precisa desse tipo de brincadeira desesperadamente apaixonada.
Retomo o que foi dito no início deste escrito, e reafirmo: sou uma exagerada. E quero que o outro seja um exagerado também. Que ambos se trancafiem com sete chaves no lugar mais lindo que existe no coração, onde o amor mais bonito e puro possível de se imaginar reside. Que um seja a vida do outro, e não tenham medo de afirmar isso a ninguém. Que exista uma lealdade imensa, ao ponto de um ter certeza de que o laço formado não há de se romper por nada e ninguém no mundo. Que eu seja o tudo dele, e ele – que a vida me reserva – seja o meu tudo também. Que um não tenha apenas seu mundo, mas o mundo formado pelos dois. Que não se tenha o medo da entrega e que o sentimento construído não seja apenas mais um perdido por aí: mas que seja capaz de fazer o diferencial na vida de quem assiste o casal edificar a mais linda história de amor, onde um não vive sem o outro nem tampouco é apenas um acréscimo, mas onde são tudo, onde são vida, onde se fazem morada dentro do coração.

Poxa, Barbara, adorei o texto. E concordo com você em numero, gênero e grau. Mas fico na duvida se esse jeito "exagerado" de ser seja peculiar do aquariano. Talvez outras pessoas sejam mais... reservadas, digamos assim.
ResponderExcluirParabéns pelo blog, pelo texto e nunca deixe de escrever. Você faz isso muito bem!
Amplexo.
Todo jeito reservado guarda uma galáxia inteira de sentimentos, mesmo que ocultos. Pelo menos é essa certeza que, até então, me predomina. E obrigada, clarinha!
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