segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Também são meu sangue

São três criaturinhas lindas. Cada um com cabelo de cor diferente, macios como uma seda, que escurece exatamente na perfeita ordem do menor para o maior. São de uma brancura ímpar, mais clara, vai ver, até que a neve. De olhos bem abertos e acesos, encontro neles um pouco de mim. Pouco este que, talvez, tenha até mais do que penso.

E amo: porque naqueles três corações, eu sei, meu DNA também bate. Meu sangue também corre. Guardo um sentimento bonito, um carinho sereno, desses que a gente sente e, mesmo sem poder demonstrar, preserva. Tenho todos, não só no peito, mas na memória que, vez por outra, enquanto durmo, resolve me fazer ver cenas que, em outros tempos, já cheguei a sonhar. Coisas que, em um passado não tão distante, eu enxergava como um futuro cada vez mais perto.

Sou feliz, porque, primeiramente, tenho a Deus; depois, porque graças a Ele ganhei a mais linda de todas as meninas em minha vida, a pequena que de mim difere 15 anos e despertou um amor que jamais pensei sentir um dia: irmã. Tenho uma família mais do que maravilhosa, um namorado que me devolve o amor que emito da mais linda forma e amizades que me fazem um bem tão verdadeiro. Mas há um espaço, não minúsculo, em que cabem os três pequeninos que, apesar da ausência, se fazem tão presentes quanto os demais que me rodeiam.

Sei bem os motivos de certas coisas que acontecem na vida, e essa é uma delas que, há muito, sei do porquê, ainda que jamais compreendido. Crianças, eu, sentimental, e aí já viu: vez em quando, no descuido de ver alguma foto ou relembrar os poucos momentos vividos juntos, penso, repenso e tripenso no que poderia ter sido e não foi.

Dói, e não minto. Porque há distância, muito pior que física, a de laço. Do sentimento recíproco. Daquele abraço que, quando vejo aquelas faces tão angelicais em minha frente, não posso dar. Das brincadeiras que, inocente, pensava poder fazer. Dói porque sou humana, e como boa praticante de minha natureza, tenho essa mania incansável de questionar, sozinha, o que pode ser no futuro já que tanto não foi no passado e, ainda menos, é no presente. Dói, porque as esperanças que me foram ditas eu tive que esquecer.

De algum modo que não sei explicar, fazem falta. Não no dia a dia, porque, ainda que tudo fosse um pouco diferente, seria impossível. Mas fazem. E a maior de todas as pontadas é saber do quão são ingênuos e que, por si próprios, por enquanto, não chegarão até mim em hipótese alguma, e não posso fazer o que seja para que se revertam as situações, que se concertem os erros.

Escrevo porque essa é uma das coisas que, em minha vida, jamais teriam outro modo de serem ditas. Quem sabe, um dia, por destino ou pedido, esses mesmos olhos que tanto assemelho aos meus passem sobre essas palavras que, apesar de tão singelas, foram escritas com um afeto que nunca deixei de nutrir. Que eles saibam, ou se lembrem, se souberem, que meus braços estarão sempre abertos para recebê-los. Para isso, é suficiente um passo. Porque um pouco deles meu coração já é desde sempre, e não se deixa de lado ou em segundo plano quem, literalmente, carrega um pouco de nós em si mesmo.


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