segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Vai com calma, menina.
Ela tem a fútil pressa de abraçar o mundo. Desajeitada, ligeira, estabanada. Sente vontade de voar e cantar como pássaros, mas ainda não tomou conta de suas próprias asas. É incrível. Seus passos são maiores do que suas pernas, e o céu pra ela é logo ali. Talvez não pudesse... Ou pelo menos não devesse, mas mesmo assim, ainda insiste. Ruge feito leão quando está com raiva, seu tom de voz muda, seu olhar penetra, fuzilando com o que realmente se passa em seu coração e sua mente, a ponto de fazer recuar quem quer que olhe pra ela com ar de orgulho sem sentido. Tentaria ela ir com calma? Não. Calma é uma palavra que não se encaixa muito bem com sua vida. Ela corre contra o tempo, contra o relógio. Se apressa mesmo não precisando de pressa. Tão veloz como a velocidade da luz. Que bobagem! Ela nem nota o tempo que perde com essa desnecessária afobação de querer crescer. Tempo ao tempo - ela nunca deu - talvez aprenda, mas não agora. Desacelerar a caminhada às vezes é a melhor solução. Mas por enquanto ela tenta apenas dá uma volta ao mundo. Não precisa ser o mundo de todos, mas pelo menos que seja seu mundo. Tentou ela ir com calma, não conseguiu. Seus pés pareciam ter vida própria e caminharem com velocidade, com independência, sem saber se ela quer prosseguir, ou dá um tempo por ali mesmo. E ainda acha graça. Como pode? Tão pequena com cabeça de querer ser grande. Achando que está com a razão e que cresceu. Que nada... Não passa de uma boneca com vida tentando ser maior do que deveria. Deixa assim. Quando ela realmente crescer, saberá ela que cresceu. Enquanto isso... Lá se vai a pequena menina com sonhos de apenas viver livre, sem ser mandada, correndo numa disputa constante contra ela mesma.
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