sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pré-matura



Talvez eu não seja tão grandinha quanto penso, não: cada vez que quebro a cara e parto meu próprio coração, vejo o quanto piso na bola, e pior, em meu próprio campo. O quanto erro e o quanto se erra nesta vida inconstante, é um cálculo matemático definitivamente sem solução, sem resultado, sem resposta, sem nenhuma alternativa pra marcar com consciência ou até mesmo simplesmente chutar. É irracional demais. Quando creio que já sei de metade desta vida sem nem muito ter vivido, me aparecem lições as quais nunca imaginei em minha mente. Como pode? A única resposta que encontrei é que meu cérebro é meio louco e futurista demais, e cria as coisas sem nem sequer me avisar antes. Sem deixar pistas ou aviso prévio.
Na verdade eu me acho meio louca. Não que eu sofra algum tipo de doença mental, não. Mas sempre quis ser a dona da razão, a que não erra, a que sabe de tudo - apesar de reconhecer fielmente que errar e não saber de tudo é qualidade ou defeito marcante em minha vida. Mas é assim mesmo. Questão de conformação. De esperar o tempo passar, chegar, voar. Que seja. É ter que se conformar e esperar meus vinte e poucos anos. Talvez menos, ou mais... Para saber pelo menos quase metade do que acho que já sei.
Tenho visto que no fim das contas, não sei de tudo, nem de quase tudo, nem do quase da metade do quase tudo. Minhas concepções errôneas têm mudado numa velocidade de 200 km por hora. A quantidade de conhecimento que tento adquirir numa frase a vontade de saber e fazer tudo ao mesmo tempo tem me deixado frustrada. Porque não acho saída e nem sequer controlo essa minha ânsia de crescer, de saber, de viver, de conhecer. Sou madura, na medida do possível. Sei levar a sério, quando necessário. Mas minha alma não se conforma com o pouco. A minha mente, o meu ser pede mais: eu quero saber. Ser pelo menos um pouco mais esperta e sábia. Parar de fazer gol contra, errar as notas, trocar a ordem das músicas ou esquecer algum detalhe importante quando se fala de opinião. Pelo menos cheguei a conclusão de que aquela música é minha cara: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante.” Talvez seja realmente assim mesmo. Talvez, quem sabe, pode ser.
Acontece, que quando se é adolescente, um turbilhão de coisas passam pela cabeça. Ora acha que se sabe tudo, ora acha que não se sabe de nada. São exorbitantes as tentativas de criar conceitos fictícios e duradouros para cada coisa na vida. Vira e mexe a opinião muda. As situações invertem. Você sente a última coisa que imaginou sentir um dia e deixa de sentir o que achou que seria eterno. Erra demais, se arrepende demais, arrebenta a cara demais. Até aprender. Mas isso varia. Vai de cada um.
As coisas que já vivi, já passei. Os erros que já cometi, que já omiti, me fizeram crescer. Aprender um pouco, pelo menos. Tenho que aceitar os fatos de que ainda há muito que se aprender. Que nunca vai se saber de tudo, e nem o tudo vai ser suficiente. Que apesar da confusão do tempo ainda há tempo para se aprender pouco mais, até muito mais. Vou dar razão ao tempo, tempo este que é sacerdote das vontades de Deus. E deixar meu coração decidir as coisas. Conforme vivo, aprendo. Conforme o tempo passa, eu cresço. Conforme as coisas mudam, eu mudo. Conforme erro, amadureço.
(Para todos que se encontram em confusão semelhante à esta minha.)

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